O cinema brasileiro atual é uma merda. Sim, começo com os dois pés no peito. Principalmente dos que adoram gritar para os ventos, o sol e a lua quão superior o cinema made in Brazil é dos enlatados de Hollywood.
Tenho uma coisa para te dizer: Não, não é mesmo.
Não que eu não goste de nenhum filme nacional, gosto muito de Cidade de Deus, Tropa de Elite, Lisbela e o Prisioneiro, O Coronel e o Lobisomem. Sabem o que todos esses filmes tem em comum? Eles tem uma linguagem de cinema. Não de uma novela em longa-metragem. E esse é o trunfo do cinema norte-americano.
Parece estúpido, não é? “Linguagem de cinema”. Por mais estúpido que seja, essa é a verdade. Mas tem uma justificativa.
O áudio-visual brasileiro sofre de um problema sério, que mora primordialmente na minha área, a de roteiristas. Muitos dos autores de novela no começo dos anos 1950, vinham dos dramas de rádio onde tudo era descrito e transmitido por áudio e diálogos. E eles acabaram levando esse vício para a tele-dramaturgia que por sua deu de herança para o cinema.
Não precisa de muito esforço ou mesmo de muito mais do que cinco minutos assistindo uma novela ou filme nacional para perceber que eles falam demais. E não só isso, mas grande parte do excesso de falas é constituído de frases e textos completamente desnecessários. Repetindo o óbvio, chamando sua atenção para o desinteressante. Isso pode não ser notado pelo público médio, mas é sentido, você vai ficando cansado, perdendo a atenção no filme, pensando em outra coisa. E por mais interessante que a cena seja, os diálogos exagerados antes, durante e depois dela simplesmente geram uma ojeriza subconsciente ao espectador.
Te faço um desafio: Assista a qualquer filme brasileiro, de qualquer época. Então conte quantas redundâncias existem nas falas. Vai se surpreender. São muitas, exatamente pelo motivo acima explicado.
Não, não que redundâncias devam ser exorcizadas do cinema, de forma nenhuma, mas elas devem ser usadas quando a cena pede, quando o personagem a usaria. Não a todo momento. Falta ao roteiro do cinema nacional mais objetividade e menos linguiças enchidas. Você tem cerca de 90 minutos para contar uma história com áudio e vídeo. Aproveite isso da melhor maneira possível.
O bom cinema agradece.










Ultimamente, com as leis de Liberdade de Imprensa caindo feito técnico de futebol no Brasil, manifestações pulam por todos os lados a favor de dar um fim no último resquício de ditadura que resta ao páis. E é a tal da ditadura a responsável por uma das manias mais irritantemente constantes no âmago do brasileiro.




