Fazer Quadrinhos em Parceria é um Casamento
Publicado por Marco Rigobelli em 11/06/2008
Esse texto é uma continuação de Homens são Roteiristas, Mulheres são Desenhistas.
Depois de estudar os padrões comportamentais tanto dos(as) roteiristas quanto dos(as) desenhistas. Vamos agora traçar um paralelo da árdua tarefa que é fazer quadrinhos em parceria. Ou quando o Roteirista e a Desenhista se casam.
Esse momento geralmente é marcado pela Ilustradora aceitando a proposta de bom grado, inclusive dando sugestões, o que denota interesse por parte da mesma.
Essa é a fase do namoro, quando tudo é lindo, planos brotam pelos poros a cada conversa, tanto Desenhista quanto Roteirista estão se conhecendo. Tudo naquele projeto soa bem, e assim como em um namoro, as pessoas ao redor de ambos os envolvidos podem ser (e geralmente serão) contra o relacionamento. Às vezes por não acreditar no projeto mas na maioria das vezes é por simples ciúmes mesmo.
É durante o namoro que grande parte das coisas que darão certo no projeto surgem. É a experimentação, quando ambos aprendem muito um com o outro.
Com o tempo, as experiências e descobertas do namoro podem dar lugar para a rotina. Um momento de torpor pelo qual os dois passam onde nada é criado, todo o processo criativo é substituído pela organização do que já foi feito. Em outras palavras, eles discutem a relação.
Essa fase de rotina geralmente seguida de desconfianças e medos. Principalmente dos famigerados projetos paralelos.
As “escapadas” no relacionamento, geralmente são curtas e proveitosas, trazendo tanto ao roteirista quanto à desenhista experiência e evolução. Mas isso tudo vem acompanhado de ciúmes e medo da perda do(a) seu(a) companheiro(a).
A partir do momento no qual a relação avança e ambos os envolvidos assumem um maior compromisso entre si, mais detalhes da trama vão sendo desenvolvidos. Personagens nascem, um final é definido. Podemos comparar essa fase com o noivado, cheia de planos, idéias, pretensões. é nela que também ocorre o começo da concepção. As idéias tornam-se esboços, a trama divide-se em capítulos. É bastante comum o fim do relacionamento nesse período, é nele que se descobre mais detalhes a respeito de como será a convivência em estágios mais avançados e é nele também que surgem discussões mais ásperas a respeito do rumo sendo tomado.
Mas tudo bem, antes terminar agora do que quando for tarde demais. Mesmo que isso acarrete em traumas.
Após o período do noivado vem o motivo desse estudo, o casamento. Momento de vitórias e superação. alguns diriam que de maior estabilidade também, se não fosse a mentira mais deslavada do mundo. Esse é o momento no qual um mais depende do outro,ambos tem que praticamente viver em sintonia, sinergia e juntos. E uma das principais diretrizes da Lei de Murphy diz: Tudo o que precisa de colaboração para ser resolvido na maioria das vezes e será, mas sempre exigindo muito mais “colaboração” de uma das partes. O que quase sempre termina em briga judicial.
Mas quando mesmo assim tudo dá certo e temos um lindo filho (a História em Quadrinhos) nascido, o rebento é maravilhoso e não importa o quanto dê prejuízos, será amado.
Aliás, até no filho existem paralelos. Todos os pontos positivos são de responsabilidade da Mãe (Desenhista):
- Ahhh… Que arte maravilhosa!
- Olha as cores dessa página!
- Só podia ser você mesma para colocar uma expressão tão marcante nesta cena.
Enquanto que cabe ao Pai (Roteirista) a culpa pelas coisas ruins.
- Por que você teve que matar esse personagem?
- Essa fala não parece natural…
- Eu não entendi nada do que você quis dizer aqui!
Relacionamentos que deram certo, tem tudo para serem duradouro e gerarem outros filhos. Mas mesmo eles não impedem outros envolvimentos. Os quadrinhos não são um mundo monogâmico, pelo contrário, a poligamia é abertamente incentivada na maioria das vezes, até menáges e orgias são necessários e em algumas oportunidades são certo.
Só espero que os censores ou a Liga das Senhoras Católicas não leiam esse texto e depois tentem proibir as HQs porque sua produção é promíscua…

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.





soni disse
Eu achei muito engraçado o texto, mas devo dizer que eu e minha irmã somos o caso raro de desenhistas/roteiristas então… por isso a gente não se casa…XD
Raquel disse
o.o nya! engraçado que há algum tempo, tentei ser a roteirista de uma história de um amigo q desenha… apesar de eu tb desenhar e de ele tb escrever… Mas ele desenha BEM melhor e… bah! que que te interessa tudo isso? XD
Adorei o texto! Realmente… Dei algumas boas risadas! ^^
=3 Fico feliz tb, pois encontrei um ótimo roteirista que acha que meus traços são lindos… *-*~~
=**
Adriano Borges - Jesse Custer disse
Cara, muito bom o seu texto e a sua iniciativa. O pessoal que se mete a fazer quadrinhos tem muuuuuuuuuuuuuito a aprender sobre ler primeiro pra depois a pensar em escrever, mas infelizmente não é o que acontece por aqui e somos obrigados a ver essas aberraçoes que chhamam de quadrinhos nacionais e ainda dizem que a cena está firme e forte.
essa é pra vc fanzineiro!!!
já está no ar a terceira parte da serie Grandes problemas brasileiros: a HQ nacional, onde desta vez comentamos sobre os fanzines e onde eles falham para auxiliar o quadrinho nacional e tambem a historia dos fanzines desde sua fundaçao nos anos 50 ate os dias de hoje.
confiram, que esta muito bom!!!
abs e continue com o bom trabalho