Lorens e o Dragão – Parte III
Publicado por Marco Rigobelli em 26/06/2008
Essa é a continuação de Lorens e o Dragão – Parte II.
O imperador estava nervoso, Lorens era seu melhor soldado e sua morte seria uma perda irreparável para o império dos elfos. O Senhor dos Elfos caminhava de um lado para o outro na frente de seu trono, ele estava preocupado, às vezes queria ele mesmo ir lutar contra o dragão. Mas sempre era impedido por seus servos que temiam a perda da fé de seus seguidores na divindade do imperador, já que ele poderia morrer lutando contra aquele monstro.
A agitação do Senhor dos Elfos preocupava os seus conselheiros, ele realmente demonstrava estar com medo. E isso com certeza afetaria em suas decisões, para evitar problemas graves o senado tomava as decisões sem o conhecimento do imperador. Para seu povo ele tinha a importância de um deus, para seus aliados mais próximos ele não passa de um nobre manipulável…
Lorens sacou sua espada, apontou-a na direção do dragão e com ela em riste gritou:
- Diga-me o seu nome monstro! Não quero viver com o remorso de ter matado um indigente!
- És muito presunçoso elfo, achas que pode me vencer sem nem mesmo ter me enfrentado? – perguntou o dragão olhando fixamente dentro dos olhos de Lorens.
- Sou o mais poderoso dos guerreiros de uma raça poderosa! Somente um deus pode me vencer! – gabou-se o elfo, tentando manter-se superior perante um majestoso e imenso dragão. – agora pare de choramingar e diga-me o teu nome!
- Tu não imaginas o quanto és corajoso, ou o quanto és incrivelmente tolo! – disse o dragão, as palavras do elfo acertaram fundo na alma da fera. Lorens sabia disso e estava satisfeito. – os elfos são realmente egocêntricos, não imaginam o quanto é perigoso desafiar um dragão tão antigo quanto eu da forma que me desafiaste, criatura insignificante!
- Basta de ladainhas lagarto! – gritou ao máximo de sua voz Lorens, para aqueles que estavam dentro de Nauranttallasa esses gritos não passavam de sussurros, enquanto que a voz do dragão, baixa, amena e grave como o bramido de uma ursa chamando sua ninhada, permanecia na mesma altura amedrontadora de quando a fera estava na cidade, provavelmente por meios mágicos. – diga-meu teu nome e vamos à luta!
- Meu nome é impronunciável em tua língua arcaica – começou a responder o dragão. – mas o ultimo nome que virá a sua cabeça será Malbbade… – concluiu o dragão.
- Como ousa subestimar a bela linguagem de meu povo? – indagou Lorens com seu punho esquerdo cerrado enquanto o direito ainda apontava a espada na direção de Malbbade. Isso não arrancava nenhuma reação do dragão que permanecia imóvel fitando o elfo dentro de seus olhos cor de mel. – eu imaginava que dragões fossem bestas mais sabias, mas vejo que são estúpidos como qualquer outro monstro com escamas!
- Subestimas-me jovem? Diz que minha raça é tola quando é a tua que vem perdendo o respeito por seus deuses com o passar dos anos, e que esqueceu o juramento de proteger e conviver com a natureza em paz? – disse o dragão em tom irônico relembrando do tratado conhecido como Tratado da Folha, e de como os elfos abandonaram seus deuses progenitores e passaram a adorar o seu imperador como a reencarnação do deus da raça.
- Como ousa disparar tamanhas blasfêmias contra mim? Foi o imperador quem criou nossa raça! E a ordem dos druidas ao sul está acabada! Não temos mais obrigações para com eles! – contra-atacou Lorens.
- Então você admite que sua raça não tem palavra? – perguntou o dragão esboçando um sorriso no canto de sua enorme boca. – A ordem dos druidas do sul está muito enfraquecida mesmo, mas não acabada, o juramento deve ser mantido até que o ultimo deles sucumba. O que não deve demorar muito, já que a ordem não recebe um novo membro a mais de 400 anos, estão todos muito velhos, e mal se lembram de seus nomes, mas ainda não esqueceram do juramento e do quanto são poderosos o suficiente para fazê-lo continuar valendo.
- Minha raça não tem palavra? Basta! Não vou mais agüentar suas ofensas em silencio Malbbade! Vou matá-lo pela honra de meu povo! – bradou Lorens transpirando ódio, e inflamando em coragem. Fez um gesto e avançou junto de Ginunriell em direção ao dragão, o elfo e sua grifo eram tão majestosos que colocariam qualquer um em desespero, mas não Malbbade, não um dragão tão antigo e poderoso como aquele. Muito pelo contrario, aquilo tudo trazia ainda mais prazer para ele que não combatia daquela maneira fazia anos.
Os ataques do elfo não surtiam efeito contra o titânico dragão, quando a fera não se esquivava, às espadadas paravam em suas escamas duras como diamantes. O dragão parecia evitar atacar nesses primeiros momentos do combate, ou porque ele aguardava o momento certo ou porque ele não queria ferir o elfo.
- Tua tolice me alarma elfo! – gritou pela primeira vez Malbbade, o eco de sua poderosa voz ribombou por todo o território dos elfos atravessando o rio Ibrahme e chegando até o laboratório do Velho Valis que sentiu sua barba balançar com os tremores gerados pela voz do dragão. Alguns dos ingredientes de suas poções estavam destampados e se misturaram, o que gerou algumas pequenas explosões, nada muito perigoso, era até bonito, colorido, naquele momento o Velho Valis inventou a pólvora…

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