Ideias Soltas no Ar

As ideias podem não ter mais acento, mas ainda continuam as mesmas (ou quase).

Baú de Ideias [Julho] Let’s put a smile on that face!

Publicado por Marco Rigobelli em 09/08/2008

HAHAHahahAHAHAhAhAhAhAhahahAHaHaha!

HAHAHahahAHAHAhAhAhAhAhahahAHaHaha!

Já tinha vontade de escrever isso desde que assisti O Cavaleiro das Trevas pela primeira vez. Mas não encontrava palavras ou mesmo argumentos. Talvez porque tudo estivesse muito fresco em minha mente. Mas graças ao livro recém-lançado com as artes conceituais do filme mostrando como o Coringa nele poderia ter sido resolvi escrever essa longa análise não só sobre o personagem, mas também sobre ele no filme, sobre se a sua existência, seguindo a proposta dos novos filmes, seria possível no mundo real e o mais importante, ele vai ser aproveitado nos quadrinhos ou será exclusivo dos longas?

I believe whatever doesn’t kill you simply makes you stranger!

O Palhaço do Crime é técnicamente o primeiro grande vilão das HQs do Batman, surgiu quase que simultâneamente ao herói e ficou prontamente marcado pela sua aparência e sua personalidade, ou melhor, por como sua personalidade influência o mundo ao seu redor. Com o tempo, e com o surgimento do Comic Code seu lado insano foi contido e seu humor foi exaltado.

Isso pode ser considerado um símbolo desse período negro dos quadrinhos, quando o tal código castrou

No, I not

muito do que marcava as histórias e seus personagens. Apesar de esse momento ter sido um dos responsáveis pela caracterização de um dos traços mais marcantes do Batman. O seu único código: Não Matar. Já que em suas primeiras histórias, era óbvio que ele não se importava muito se durante suas investigações um ou dois inocentes morressem para que se salvassem centenas.

Mas como era de se esperar, o Comics Code prejudicou e muito a imagem do Coringa perante os roteiristas e os fãs com o passar das gerações. Claro, ele ainda era icônico, considerado um dos melhores vilões dos quadrinhos. Mas de alguma forma desconfortável, não era realmente ele.

Para mim, o Coringa de verdade voltou na Graphic Novel que consagrou Frank Miller. Batman – O Cavaleiro das Trevas. Claro, ele teve um lampejo do verdadeiro Coringa na entediante história da morte de Jason Todd, o segundo Robin. O único momento de real êxtase em toda a história foi quando o Coringa espancou o Robin rebelde com um pé-de-cabra. Aí ele começava a dar sinais de estar voltando à sua razão loucura costumeira.

Mas em uma das seqüências curtas mais marcantes que já li, em Cavaleiro das Trevas, ele vê na TV que seu velho amigo Batman – então um sessentão voltando a ser um vigilante – voltou, o que tira o Palhaço de seu marásmo pelo qual passava à décadas e voltar, já em grande estilo, matando centenas de pessoas em um programa de TV, ao vivo.

Só que seu renascimento veio pelo texto, sempre brilhante, de Alan Moore em A Piada Mortal. Onde mostrou o Coringa não como somente um louco bem-humorado, sem explicar o que é a sua loucura ou porque ele faz tudo o que faz. Mostrou sua insanidade como uma força da natureza sem controle, que segue apenas impulsos, o que sua mente manda, o que parece divertido. Uma versão oposta perfeita do Homem-Morcego.

Esse então foi definido como quem o Coringa realmente deveria ser.

Why so serious?

Então chega o ano de 2006.

A polêmica sobre quais seriam os vilões exaltava fóruns e fãs por toda a internet e até, pasmem, fora dela. Depois de decidido que eles seriam o Coringa e o Duas-Caras. E veio a primeira polêmica: Escolheram o ótimo Heath Ledger para interpretar o cara com o nome de carta. A comoção foi imensa já que o último trabalho marcante dele foi no filme – meia-boca – O Segredo de Brokeback Mountain onde ele fez um cowboy gay. O que levou todos à pensarem sobre como seria isso, o Coringa, gay?!?!

Essa discussão que parece vinda das balzaquianas espectadoras de novela espancadoras de atores que interpretam os vilões por acharem que eles pensam igual. Mas isso aconteceu.

E todos eles queimaram a língua.

A interpretação feita por Ledger foi, em resumo, absurda! Ele foi perfeito! Sua caracterização lembra muito o Coringa de Moore, em todos os seus trejeitos, sua loucura, seus impulsos. Frases marcantes, motivações que não precisam ser explicadas e toda aura de mistério que um homem como ele precisa ter. Isso tudo sem perder sua característica mais importante: O bom-humor. Ele não o perdeu em nenhum rompante de loucura do filme. Como na “mágica” com o lápis, sua fantasia de enfermeira e o ápice para mim, o Caminhão de Bombeiros pegando fogo.

Mas o Coringa acabou causando mais uma vítima. O ator morreu por causa da carga psicológica que o personagem exige.

Então, seria possível alguém como o Coringa existir no mundo real? Segundo a proposta dos filmes novos, sim. E realmente me parece uma hipótese bastante concreta. Haja visto que seu passado e como ele se tornou assim nunca foram explicados. E de fato, existem diversas coisas que podem transformar uma pessoa nisso. E com toda certeza, predisposição e aquela cicatriz são grandes responsáveis por isso. O mais raro seria a combinação disso tudo com a inteligência notável do personagem, resultando em um maníaco difícil de se capturar sem nada a perder e que usa a imagem do palhaço como uma forma de se destacar e porque não, amedrontar.

Wanna know how I got these scars?

Agora chegamos à parte mais importante, o futuro dos quadrinhos vai seguir esse Coringa ou vai mantê-lo como sempre foi?

É difícil de responder, acho muito difícil que a aparência icônica dele mude por causa da interpretação de Ledger. Mas podemos ver muito de sua personalidade em publicações futuras. E eu espero por isso.

2 Respostas para “Baú de Ideias [Julho] Let’s put a smile on that face!”

  1. [...] Let’s put a smile on that face! [...]

  2. Victor disse

    Muito boa análise meu nobre, parabéns.

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