Ideias Soltas no Ar

As ideias podem não ter mais acento, mas ainda continuam as mesmas (ou quase).

Na Cabeça do Palhaço

Publicado por Marco Rigobelli em 13/08/2008

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Tem alguma coisa no meu dente?

No último texto, dei um panorama geral no Coringa como personagem. Citando momentos importantes de sua “carreira” e o que foi mudado nos quadrinhos e no cinema. Mas agora, minha intenção é traçar um perfil psicológico do personagem. Vou tentar me ater apenas à sua personalidade mais marcante eternizada em A Piada Mortal e revisitada em O Cavaleiro das Trevas.

Vamos supor que ele não nasceu assim. Nesse caso, vou análisá-lo usando a hipótese mais crível para mim. A de que ele teria tendências à loucura mas só após o acidente que transformou sua aparência o que restava de sua razão se esvaiu.

Levando isso em consideração, pode-se supor que algumas características de sua personalidade foram atenuados com a loucura e que seus lampejos de insanidade o levaram até o acidente que deixou ele daquela maneira. Ah claro, vamos considerar também que independente de qual versão, a dos quadrinhos ou a do cinema, a origem do Coringa como nós conhecemos não é muito clara. Já que em ambas as mídias ela foi contada e recontada de maneiras suficientes para que consideremos todas elas duvidosas ou até mesmo ilusões geradas pela mente de um maluco que enganaria à ele próprio.

Bom, considerando a freqüência com que isso acontece entre as pessoas, a característica de “ser como um cão perseguindo carros, que não sabe o que fazer quando os alcança” ou em outras palavras, alguém que age por impulso, sem planos deve ser uma das coisas que formavam o homem antes do coringa, talvez a mais forte. Uma pessoa impulsiva, provavelmente humorada que demorava muito para perceber que o que fez foi certo ou errado, já que era a adrenalina quem comandava suas ações. Com certeza usava isso tudo para mascarar suas timidez e insegurança. Infância violenta pode ser a responsável pela tendência a encarar tudo como uma piada, característica essa que também deve ter sido sufocada pela timidez.

Qual a cara d'O Palhaço?

Não devia ser muito ganancioso, talvez chegando ao ponto de só se dar conta que precisa do dinheiro quando ele realmente fizesse falta. Ele era muito emotivo, na grande maioria dos casos, ele não teria controle sobre os seus sentimentos, agravando sua impulsividade. Não deve ter tido muitos amigos, mais por falta de iniciativa própria do que por qualquer outro motivo. Isso pode acabar levando-o a ter seu relacionamento com mulheres quase todo resumido à prostitutas, o que talvez o tenha levado a ter um contato mais freqüente com o submundo de Gotham.

Nessa parte, ainda tenho dúvidas sobre se ele teria tentado de alguma forma se infiltrar no tal submundo com a intenção de elevar sua auto-estima. Se sim, acabo em outra encruzilhada. Ele teria sido um capacho de bandidos e da máfia ou tentava conquistar respeito pela força e intimidação? Levando em conta o fato de nem no filme e nem na cronologia oficial dos quadrinhos ninguém do crime de Gotham mostrar conhecê-lo em sua época Pré-Coringa, a primeira opção é a mais válida e até a mais concreta, já que o modo como ele tenta tomar conta desse “ramo” é bastante agressivo e poderia ser uma resposta para destratos.

A aparência, caso não tenha sido originada pelo acidente químico, é a personificação do medo que ele poderia ter por palhaços na infância. Já sua violência e a predileção por facas e armas de combate corpo-a-corpo devem ter vindo após isso, como um alimento para seu lado mais sádico e como um amplificador da sensação de medo que o Palhaço do Crime poderia gerar.

E é disso que provavelmente é e foi formada a mente de um dos mais icônicos e importantes vilões da história dos quadrinhos e que novamente voltou aos holofotes fora do nicho conhecido como Cultura Pop.

2 Respostas para “Na Cabeça do Palhaço”

  1. osmar disse

    em piada mortal (clássico ) o próprio coringa, agora provido de uma fenomenal autoanálise ( típica de bipolares ), explica a batman a origem… creio que a sanidade e loucura sejam níveis de tolerância na administração de um filtro para a janela ao inconciente… que é um caldeirão em de multipla textura e diferentes temperaturas… tudo junto.

  2. Coringa disse

    Sarcástico e Amplamente conhecedor, observador do panorama a sua volta!

    A definição de coringa: carta chave, blefe e rápida jogada.
    Partindo desse principio, vejo uma loucura de escopo dirigido em controle na programação mental de influência p/ com pessoa em fases de desespero e de intensas emoções reprimidas. Onde posteriormente o personagem os manipula com total maestria sobre outros que o seguem. Sua persuasão e linguistica potencializa a sua parte predadora dominante como parte funcional de sua manipulação de programação neuro linguistica para com seu adversário. O mundo em sua volta é um intenso jogo do simples e verdadeiro derradeiro e descontrole que nossa sociedade moderna vive e piora a cada década. Formulando assim pessoas desestruturadas mentalmente fúteis e agressivas a níveis sociológicos e até mesmo patológicos de intensa fixação ou até mesmo loucura! E isso o personagem se encaixa perfeitamente como um observador e manipulador de extremamente volátividade e em suas investidas de controle e compulsividade de manter as coisas a níveis caóticos como citei a cima. O termo tem pessoas que gostam de ver o circo pegar fogo, foi sugerido pelo mordomo e isso com certeza temos milhares de pessoas que o seu perfil é este. O beneficio disso pode ser totalmente inutilizado ou perfeitamente utilizado, como o próprio personagem o demonstra em suas desordens as anarquiaa feitas com maestria em sua investida contra seus adversários! E brindamos com a infeliz estatística de nossa sociedade se diluindo num ralo que parece que é sem fundo! Reflitam nesse panorama caros “palhaços”, e tentem ver se vocês encaixam no olho do furacão ! ahahahahahahaha !

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