Serviço de Utilidade Pública #2 – Dungeons & Dragons NÃO foi inspirado por Senhor dos Anéis
Publicado por Marco Rigobelli em 16/10/2008
Vindo agora com o segundo capítulo do post mais lido que esse blog já teve, mais de 2500 pageviews! E já retorno quebrando outro tabu muito comum, mesmo entre os RPGistas mais desocupados estudiosos sobre o assunto. Dungeons & Dragons, o RPG primordial, criador desse gênero de jogo e sistema mais jogado do mundo até hoje foi inspirado na trilogia O Senhor dos Anéis (não vou colocar link nenhum aqui, porque se você não conhece SdA, deve ter se perdido quando chegou ao blog) e nas outras obras de Tolkien?
Não.
Puxa, eu imaginei que a resposta desser Serviço de Utilidade Pública seria muito mais fácil quanto à do primeiro, mas não imaginei que fosse tanto! Bem, para não parecer que vocês vieram até aqui e acabaram perdendo seu tempo, vou explicar um pouco sobre como surgiu o popular D&D e por consequência, o RPG em si.
MASMORRAS & DRAGÕES
Originalmente criado na década de 1970, podemos dizer que o Dungeons & Dragons foi uma “ideia acidental”, pelo menos segundo contam seus criadores Gary Gygax e Dave Ameson. Naquela época, o Atari era o ápice do entretenimento, para terem uma idéia, a Apple mal havia sido concebida. Então, a única diversão que nerds poderiam ter eram os chamados “Wargames“, jogos de estratégia com dados e miniaturas jogado em maquetes ou tabuleiros, geralmente do gênero fantasia.
Nesses jogos, cada jogador tinha a função de controlar um pequeno exército, dominar territórios, enfrentar as tropas inimigas e ganhava quem dominasse o mundo, derrotando todos os adversários. Aposto que isso parece ser familiar para a maioria de vocês. Os games de séries como Warcraft, Starcraft, Command & Conquer são exemplos modernos e notórios “filhos” dos Wargames.
Então, reza a lenda que um desses grupos, que por uma extrema coincidência tinha os dois criadores de D&D como seus integrantes, gostava de inovar em suas partidas. E um dia, um dos jogadores construiu a maquete de um castelo absolutamente perfeita e quase intransponível desafiando então dois amigos (seriam… Eles?!) para que formassem exércitos e tentassem invadir sua fortaleza em miniatura. Após horas que somente nerds seriam capazes de gastar em jogos e nenhum avanço sequer na invasão foi conseguido, um dos jogadores foi um pilantra gênio!
Ele resolveu abdicar de seu poderoso exército e alegou que um dos soldados encontrou uma entrada escondida (sabe aquele erro de projeto que destruiu a Estrela da Morte? Então…) e que ele sozinho invadiria o castelo pelos esgotos! Mas rapidamente, o defensor da fortaleza prometeu construir uma masmorra para que isso continuasse, e essa masmorra tinha orcs, goblins, dragões… E cada jogador tinha um personagem, não mais um exército deles, fazendo com que fosse possível se aprofundar na pessoa que ele é, na personalidade daquele guerreiro idiota destemido que resolveu invadir um castelo fortemente protegido sozinho! E então não mais eram apenas guerreiros e humanos. Eram também magos, clérigos, ladinos, elfos, anões…
Claro, é assim que a história é contada pelos criadores, mas eles podem muito bem ter ouvido isso de alguém e roubado a idéia dele, nunca se sabe…
AS INFLUÊNCIAS
E chegamos a o pensamento que gerou isso tudo, afinal, se não foi o mestre maior da fantasia medieval, vulgo J. R. R. Tolkien quem diabos inspirou eles à chegar ao Dungeons & Dragons como o conhecemos?
Simples. Prestem atenção nos próprios cenários principais do sistema: Greyhawk e Forgotten Realms. A única coisa que eles tem em comum com a Terra Média é o fato de ambos terem humanos, anões, elfos, orcs, magos, guerreiros… Mesmo a idéia de elfos e anões eram colocadas em segundo plano nas primeiras versões do sistema. Aliás, nem o Gary Gigax (que por sinal é um nome foda!) e nem o Dave Ameson gostavam de Tolkien, achavam ele muito chato.
As reais inspirações foram duas: O verdadeiro pai da fantasia medieval Robert E. Howard e seu principal
personagem, Conan, O Bárbaro. Sendo o responsável pela influência “High Magic”. Já que nos cenários de D&D, magos com pouco treinamento, por exemplo, conseguem explodir casas com um dedo ou piscar de olhos, coisa que o Gandalf poderia fazer, mas dispensando 5X mais esforço do que Elminster gastaria.
Aliás, se Elminster resolvesse se esforçar tanto quanto Gandalf faria para destruir uma casa, o mago de Forgotten Realms destruiria o planeta. Mas isso não vem ao caso…
A outra influência, essa caindo sobre as intrigas e o modo que os mundos existem política e socialmente, são Lahnkmar de Fritz Leiber, obra pouco conhecida entre a enorme maioria dos brasileiros. Mas de leitura obrigatória para todos que tem familiaridade com a língua inglesa.
MAS NÃO TEM NEM UM POUQUINHO DE SENHOR DOS ANÉIS?
Quando foi criado? Não, nem um pouco.
Mas com o passar do tempo, a aquisição da TSR pela Wizards of the Coast trouxe novas equipes, novos cenários, como o das Crônicas de Dragonlance que é Low Magic e tem uma atmosfera muito parecida com Senhor dos Anéis. E claro, as revisões das regras com o tempo trouxeram algumas influências de Tolkien, principalmente nos halflings que para quem não percebeu, são hobbits. Mas não puderam ter esse nome por veto da família do pai da Terra Média.
Fontes:
Wikipédia, pra variar.
Wizards of the Coast

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