Idéias Soltas no Ar

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As mudanças que nos formam e as mudanças que forçamos

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Na vida, assim como a morte, o resfriado, tropeçar na calçada e reprises do Lagoa Azul, observar as pessoas ao seu redor mudando é inexorável. Mas, de forma nenhuma isso é ruim. Até eu que odeio mudanças sei o quanto corrigir detalhes e inventar novos defeitos faz bem, te ajuda a se encontrar e de qualquer forma, ainda que você lute contra isso, a vida te força a mudar ou te tira do jogo. Por isso evoluímos. Afinal, não vai passar a vida repetindo os mesmos erros, vai aprender com eles, descobrir como contorná-los ou até — se for esperto — evitá-los, veja só!

As mudanças são difíceis, tenho plena noção disso, nos obrigam a deixar coisas e pessoas pelas quais tínhamos muito apego. Em alguns casos nunca a deixamos totalmente, mas note que isso faz parte do processo de mudança; é você aprendendo a lidar com negócios não resolvidos, a engolir o orgulho ou a resolver isso de uma vez, porque as mudanças nunca são iguais para todos. Por mais que você mude, por mais que a vida te lapide, os amigos te influenciem, suas opiniões sejam afetadas, certas coisas na pessoa que é permanecem iguais e assim o serão até o fim de sua vida. E nem é algo que se destaca, são detalhes, trejeitos ou até coisas importantes que você normalmente guarda pra si e que só as pessoas realmente próximas notam. O problema é ser justamente isso que muita gente quer mudar. Aquele detalhe que te torna você, a gravidade que atrai as pessoas ao seu redor, ainda que elas não saibam, ou afasta outras porque elas o percebem e se incomodam, sendo esse é o ônus de toda a coisa. Alguns não costumam aceitar que as pessoas possam não gostar deles assim, aparentemente sem motivo; enquanto outros só não gostam de si como são. Uma bobagem, ainda que pessoal, uma bobagem.

Forçar mudanças é tolice porque elas nunca serão verdadeiras. É algo que você colocou ali de qualquer jeito, tipo um livro na estante quando não cabe mais nada. O problema é que esse livro geralmente é o Guerra e Paz, então fica lá aquela peça mal encaixada que não faz parte do todo. Você soa forçado o tempo todo, pode até sentir-se confortável se já estiver acostumado com isso, mas nunca vai ser você. E as pessoas próximas perceberão isso, o que é mais grave. Não importa a razão. Se por não estar bem com quem é, pra agradar outra pessoa, pra se adequar a outro.; em nenhum desses casos é você ali, é uma sombra ou um reflexo.

Não sou de ficar defendendo o discurso de “seja você mesmo”, sei como em muitos casos ser você é um saco — até meio triste –, o problema é que se obrigar a ser outro porque é conveniente, não é tão gratificante assim. Principalmente quando isso afeta sua relação com aqueles que lhe querem bem como é.

Escrito por Marco Rigobelli

13/01/2012 às 15:52

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