CM Punk, Chris Brown e as brigas de internet
A internet nos proporciona momentos memoráveis, afinal, em que outra ocasião poderíamos ver Chris Brown e CM Punk brigando e se ofendendo mutuamente ao vivo? Twitter anda um saco, mas ainda tem sua magia.
Para quem não sabe, sou apaixonado pelo wrestling profissional. Não aquele disputado nos jogos olímpicos onde dois brutamontes se esfregam e brincam de lego com os próprios corpos besuntados em um óleo de utilidade duvidosa buscando a vitória, esse é o wrestling amador. O verdadeiro é aquele que acontece num ringue semelhante ao de boxe onde dois seres humanos desafiam a física, a lógica e o bom senso em lutas onde golpes muitas vezes não pegam e ainda assim causam efeitos devastadores. Podem dizer o que quiserem, alegar que é “falso”, que é “armado” ou o que acharem melhor, mas é divertido, todas as linhas de histórias, os personagens, o fato de não se levarem a sério e de priorizarem o entretenimento antes de qualquer coisa. Todos esses detalhes tornam o pro wrestling um dos meus esportes favoritos. CM Punk é o atual expoente da principal Federação de wrestling do mundo, a WWE que um dia já foi WWF, ele é atualmente o cara que mais faz dinheiro numa indústria que faz muito dinheiro e vem multiplicando os ativos a cada ano que passa. E ele, sabendo disso, se vende como tal e se vende muito bem.
O lutador, por algum motivo que já não importa mais, atacou Chris Brown via Twitter o que gerou uma pequena batalha que só a rede social é capaz de nos proporcionar onde um lado gritava aos ventos que não bate em mulheres e o outro comentava sobre impotência devido ao uso de esteroides. E, vejam só, acusar o uso da substância ofendeu mesmo Punk que respondeu com um vídeo:
Nele o lutador outra vez lembra que não bate em mulheres e que, como um straight edge que se preze, nunca usou nenhum tipo de droga seja ela lícita ou não, de aprimoramento fisiológico ou não. Ainda no vídeo, Punk chama Brown pra briga já que “nunca viu ele brigando com um homem”. Chris Brown retrucou com piadinhas e uma hashtag (#notnopunks) que sabe-se lá por qual motivo foram deletadas por ele um tempo depois. Em meio a isso tudo, a WWE oportunista como é, usou e abusou de anúncios e comentários a respeito da confusão durante seus shows sem nenhuma necessidade. Expondo seu atleta e uma situação que não foi agradável para nenhum lado. E, querendo ou não, expôs também Rihanna que, mesmo não tendo participação direta na briga, estava relacionada a ela e tinha acabado de anunciar uma parceria com Brown para um disco.
Não querendo discutir valores, eles são pessoais por mais ilógicos que pareçam, mas as pessoas precisam pensar um pouco mais antes de se deixarem levar por essa redoma de segurança que a internet finge oferecer. Não é porque se brigou pela internet, trocou farpas, indiretas e ofensas por texto ou vídeo ou o que quer que seja sem olhar na cara da pessoa que você não vai atingi-la. Muito pelo contrário, você faz querendo atingir e geralmente consegue. Não tenho problema nenhum com brigas, até as incentivo por qualquer meio que seja, porque querendo ou não elas fazem bem e geram a discussão e a dúvida sobre um ponto no qual as pessoas não pensam mais ou só não querem pensar a respeito. Meu problema é quando as pessoas não levam essas brigas a sério e acabam deixando elas chegarem a quem e onde não deveria.
A sorte é que isso aconteceu entre duas pessoas populares e supostamente esclarecidas. Porque as atrocidades que somos obrigados a presenciar no Twitter quando anônimos resolvem trocar farpas é algo que faria Homero rever o campo de batalha da Ilíada. Então a guerra teria começado porque @Paris jogou mais confete para @Afrodite ao invés de @Atena e @Hera, que para agradecer apresentou sua amiga @Helena, conhecida por ter muitos urubus a seu redor devido ao status de musa do #LingerieDay; até a aparição de @Paris em sua vida, ela estava com @Menelau que aos olhos de todos era a escolha mais improvável — provavelmente fez só pra provocar os pais. Mas quando viu @Paris postando uma foto sua no Twitpic, foi amor a primeira vista e fugiu com ele para #Tróia, começando assim a maior guerra que o Twitter jamais viu. Tempos depois, @Aquiles retiraria suas tropas da #guerradetroia porque @Agamenon disse que só daria block em @Criseis se o filho de Tétis convencesse @Briseis, com quem já trocava DMs comprometedoras há algum tempo, a liberar o follow já que o perfil dela tem cadeado.
Vi pequenas bobagens tomarem as dimensões de grandes merdas porque os envolvidos não sabiam a hora de calar a boca ou que estavam falando besteira demais (curiosamente, uma sempre está ligada à outra). E nem começo a contar quantas vezes alguma confusão começou porque um dos envolvidos estava bêbado.
A pior parte é que tudo isso parece muito engraçado quando estamos alheios e assistimos do camarote que nos é proporcionado porque algo na evolução humana nos levou a apreciar esse tipo de coisa e torcer para que isso aconteça. No entanto, a situação muda quando nos vemos indiretamente envolvidos ou quando só temos amigos metidos nisso, o prazer vira incômodo, aquela sensação que remete à vergonha alheia e em muitos casos, acaba em decepção. Porque ao mesmo tempo que a não presença física te dá liberdades, ela também causa impedimentos. Não poder descontar a raiva que tem naquela pessoa no momento de forma mais física tem um efeito enorme sobre como a pessoa reage as coisas em seu redor de modo que isso vai ficando cada vez mais e mais embaraçoso e tomando proporções maiores até que chega num nível em que implode ou silencia. Dando um fim a algo que desde o princípio não tinha propósito ou significado nenhum, era o vazio que rende algumas pipocas.

dali punk
Rodolfo
24/02/2012 em 9:30
punk uma porra!!! Dá-lhe Chris Breeezy!
G93
26/02/2012 em 14:57