
Pra ninguém dizer que a gente não procurou por ele
Desde sua criação, os video games tem gerado o fascínio entre as pessoas, crianças ou adultos. E isso se comprova durante algum momento na vida de todos os que tem como parte de sua rotina jogar por algumas horas do dia.
E eu fazendo parte dessa classe posso afirmar: Muito difícilmente jogadores frequentes dos jogos eletrônicos não passaram por uma fase na qual o game com o qual estavam envolvidos não só parecia como de alguma forma, geralmente doentia, provava ser mais importante que o mundo à sua volta. Seja por causa da imersão que ele causa, o desafio, seja por algum problema pessoal/profissional/familiar/financeiro/amoroso ou qualquer outro motivo que meu irritante quê de psicólogo se atreva a expecular.
O problema é que à alguns anos atrás, isso não passava de cinco horas/dias/meses de jogatina ininterrupta, lhe seduzindo a ponto de te fazer esquecer das obrigações e compromissos. Mas nada que um puxão de orelha ou um “acorda pra cuspir” não resolvesse.
Só que como o maior talento da humanidade é tornar-se mais e mais patética à medida que o tempo passa, essa semana tivemos um acontecimento que pode ser usado como o sinal dos tempos. Um moleque de 15 anos fugiu de casa porque foi proibido de jogar Call of Duty 4. Sim, o chorão canadense esquecia da vida jogando o fps; que não dando razão à ele, é um jogo merecedor dessa devoção; até que seus pais se irritaram e lhe tomaram a sua 3RL Machine o seu Xbox 360. Impedindo ele de jogar, e assim alimentar o vício.
Com um pouco de distorção dos efeitos colaterais e dos perigos, é mais ou menos como dependência por drogas ilícitas. Os pais descobrem, se preocupam, discutem a respeito, consideram o filho doente e ao invés de procurarem tratamento e ajuda média ou psicológica, não. Resolvem cortar o acesso do garoto à sua fonte, trancando ele no quarto, amarrando em correntes ou no caso, jogando o console no fundo do guarda-roupas de algum vizinho. Eles consideram isso uma punião ou algo que fizeram, em sua visão deturpada, de bem para seu rebento.
É óbvio que isso tudo é feito com a melhor das intenções. Da mesma forma, todos os filmes do Uwe Bowl também foram feitos com ótimas intenções (eu espero), isso não significa que é a coisa certa à ser feita. Já que o afastamento pode causar ao viciado um trauma capaz de lhe tirar a razão. Além do mais, cedo ou tarde as luzes da morte apareceriam e trariam o mesmo pânico para o fugitivo. Só que como foi uma atitude daqueles considerados por ele seus “superiores diretos” ao invés de choramingar e implorar por um aparelho novo a rebeldia pareceu a decisão mais correta que ele poderia tomar.
E ele aparentemente conseguiu o que queria, além de atenção da imprensa, a própria Microsoft está oferecendo uma recompensa para quem der a localização do fujão, porque ela também se demonstra extremamente preocupada com o acontecido. Mas para mim parece mais com ela se colocando de prontidão antes que receba qualquer tipo de processo, já que em casos como esse, a primeira atitude legal que a família toma é jogar a culpa na produtora do jogo ou na fabricante do console. A empresa do Tio Bill como já é bastante experiente no assunto, tomou uma providência rápida e inteligente já que 19 mil dólares não chegaria nem perto da gorda indenização que os pais pediriam em juízo.
A caçada continua. Ele continua desaparecido desde 13 de Outubro, o que não é pouco tempo. Um rapaz de 15 anos difícilmente sobreviveria tanto longe dos pais, principalmente após fugir de casa. Então ou ele conseguiu um modo de se manter, ou morreu ou está escondido na casa de alguém jogando CoD, ou até Gears of War II.